Cultura em Macaé

Não Concordo Com Uma Palavra Do Que Dizes, mas Defenderei Até a Morte o Direito de Dizê-las

Tenho usufruido do Cinema Comentado, no Utopias Cult, que promove debates interessantes após a exibição de filmes emblemáticos todas as sextas-feiras. O espaço, que tem o dinâmico professor Gérson Dudus como programador cultural, apresenta ciclos temáticos.

Costumo levar meus filhos e eles adoram, quando chegamos em casa, rediscutir os temas já desenvolvidos no Utopias. Desfrutamos de Ingmar Bergman, da Forma da Água, da Terra em Transe, do Fahrenheit 451, sempre acompanhados de petiscos deliciosos, de refrigerantes, e de bom vinho chileno.

Na última sexta, a magia se inverteu. Foi apresentado um documentário desconhecido, chamado “Hierarquia – Conversas depois de um fim de um mundo”.

O filme, produzido em longa metragem por Mário Salimon, envereda pelas ideias do filósofo Augusto de Franco e do “emaranhado” de pessoas com que ele convive. Neste filme de cerca de hora e meia, discutem-se temas oportunos e quentes como escolarização, democracia, redes, autocracia e, é claro, o papel da hierarquia no tecido da sociedade.

Essa experiência me fez reviver uma máxima: “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la”, frase atribuida ao filósofo francês Voltaire.

Como o próprio Augusto de Franco se auto-define, quando indagado por sua formação, ele é escritor e palestrante por causa da sua ‘deformação’.

Só sei que me senti profundamente incomodado durante toda a exibição. E mais incomodado ainda durante a discussão. Não me omiti de ser o contra-ponto numa discussão em que a anarquia foi bravamente defendida.

Para início de conversa, a hierarquia já existe quando lemos um livro, ou assistimos um filme. A voz do autor tem mais ‘força’ do que a sua. As pessoas tendem a acreditar que os livros estão sempre certos.

A hierarquia prossegue na organização do debate. Toda discussão necessita, obrigatoriamente, de um mediador. Eu, por exemplo, quando contrapunha um ponto de vista, tinha que esperar várias opinões divergentes para poder desenvolver um raciocínio na base do contraditório. A ordenação das falas possuía um Dudus mediador. E tinha mesmo que ser assim. O ser humano não possui disciplina, educação e bom senso suficiente para se organizar sem hierarquia.

Longe de mim falar que o filme é inverídico. Ele questiona valores fundamentais.

Política, religião, família… nada fica impune. A anarquia é exaltada.

Não suporto a anarquia. É lógico que reconheço que moramos num país corrompido moralmente. Um país em que a hierarquia serve para bandalheiras e negócios espúrios. Um Brasil ausente de moral e cívica. Uma ética torta e individualista.

O dinheiro desviado pela corrupção inviabiliza qualquer projeto apresentado. Nosso sistema de ensino, por exemplo, não tem verbas para remunerar professores, nem para manter os equipamentos com a estrutura necessária. Nos países mais ricos, a hierarquia é a base da disciplina e do crescimento. A anarquia sempre fracassou.

É claro que temos lindos exemplos de gestões democráticas. Se houver homogeneidade, alto nível e bom senso entre os participantes, e objetivos semelhantes entre os atores, o grupo pode compartilhar as decisões. Só que até as melhores cooperativas possuem lideranças interventoras.

Enfim, o que quero exaltar não é nada disso. Quero enaltecer a oportunidade de pensar, de ser contraditório, e de discutir em ótimo nível.

Quem quiser experimentar tudo isso é só se agendar para a próxima sexta-feira. Os temas são os mais variados, mas a hierarquia da casa sempre deverá ser respeitada.

 

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